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segunda-feira, maio 20#SoumaisoPolêmico

Armas, violência e ódio: o perfil dos assassinos de Suzano nas redes sociais

Até o momento estão confirmadas dez mortes no massacre: cinco alunos do ensino médio, dois funcionários da escola Raul Brasil, o tio de um dos atiradores e os dois assassinos que suicidaram

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(foto: Reprodução/Facebook)

Ainda não se sabe o que motivou Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, a matar pelo menos 10 pessoas na manhã desta quarta-feira em massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, interior de São Paulo. Muito pouco se sabe sobre quem eram os assassinos – mas vestígios deixados em suas redes sociais dão algumas pistas.

O mais novo, que se identificava nas redes como “Guilherme Alan” e se declarava “fã de armas” e apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PSL), era o mais ativo e constantemente publicava no Facebook. Guilherme chegou a postar, momentos antes do ataque, quase 30 fotos vestido com os trajes e o revólver .38 que usou durante o crime na manhã de hoje.
O jovem costumava interagir bastante com páginas que faziam propaganda pró-armamento no Brasil, entre elas a “Portal Armas de Fogo” e “Eu Amo Armas”. Outro assunto que ele costumava comentar era sobre política. O apoio dele a Jair Bolsonaro e o ódio a grupos de esquerda marcam grande parte da atuação on-line dele.
Apesar do amor pelas armas de fogo, grande parte das publicações de Guilherme não fugia do que se espera de alguém da idade dele: comentava sobre as séries que assistia, sobre esportes, videogames e música. O perfil de Guilherme, que em grande parte era público, foi deletado na tarde de hoje.
Luiz Henrique, por outro lado, era mais reservado nas redes sociais e quase não se tem informações públicas sobre ele. Há uma foto no perfil, na qual três soldados aparecem, e outras cinco  publicadas por ele, apenas. São elas: duas insígnias, uma da Alemanha e uma da Rússia, uma imagem do fuzil russo AK-47 e duas fotos de divulgação de jogos de tiro. Há ainda uma fotografia que estampava a capa do Facebook dele: um desenho de um revólver .38, mesmo modelo usado no massacre – no lugar de munição a arma dispara pessoas, que fogem das balas. O perfil dele também foi deletado após o crime.

Massacre

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(foto: AFP)

Até o momento estão confirmadas dez mortes: cinco alunos do ensino médio, dois funcionários da escola Raul Brasil, o tio de um dos atiradores e os dois assassinos que suicidaram. Além disso, há oito feridos.

Durante o resgate das vítimas, além dos bombeiros, o Helicóptero Águia, da Polícia Militar, e equipes do Samu foram acionados. Equipes do Corpo de Bombeiros de Mogi das Cruzes foram chamadas para dar apoio às 9h50.
Os dois adolescentes que invadiram a escola para cometer o crime se mataram na sequência. O coronel Salles, da Polícia Militar, disse que, antes de entrar na escola, os dois atiradores dispararam contra o proprietário de um lava rápido que fica em frente à escola. Neste momento, o homem está passando por cirurgia na Santa Casa de Suzano.
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O coronel Salles informou ainda que os atiradores entraram na escola na hora do intervalo. Um deles usava máscara de caveira e luvas. Primeiro, eles atiraram em uma coordenadora pedagógica e em uma supervisora. Depois, se dirigiram ao pátio, onde atingiram alunos de ensino médio. Depois seguiram para um centro de línguas.
O atentado causou caos e pânico. Imagens gravadas dentro da escola logo depois do atentado mostram os estudantes correndo, se deparando com os corpos no chão e gritando em desespero. Eles pularam o muro da escola e procuraram abrigo no comércio da região.
A professora Sandra Perez falou sobre o ataque. “Foi às 9h30. Ouvimos disparos. Estava na sala de aula, na hora do intervalo. Pensei que fossem bombas. Quando eu percebi que eram tiros fiquei lá. Só saí quando os policiais chegaram, 20 minutos depois”, contou.
Na mochila dos atiradores havia três coquetéis molotov, duas bestas (lança-seta) e um revólver 38. Uma terceira mochila foi encontrada com uma espécie de bomba, de acordo com informações do Major Caruso, subcomandante do 32.º Batalhão com sede em Suzano.
A polícia está fazendo uma varredura na escola porque foram encontrados artefatos com aparência similar a de explosivos. “A preocupação neste momento é desmantelar os artefatos explosivos, prestar socorro às vítimas e atender às famílias”, disse o coronel Salles. A área no entorno da escola está isolada por risco de haver explosivos.
Por volta das 11h20 desta quarta-feira, 13, peritos já estavam dentro da a Escola Estadual Raul Brasil. Em nota, a Prefeitura de Suzano informou que o Pronto Socorro Municipal já recebeu crianças com ferimentos leves e os feridos com maior gravidade estão sendo encaminhados ao Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, e ao Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba.
O governador João Doria (PSDB), assim que foi informado do ocorrido, cancelou a agenda oficial e se dirigiu ao local para acompanhar o trabalho de resgate e atendimento aos feridos. “Ao chegar (…) fiquei consternado, chocado. Nunca tinha visto uma cena igual na minha vida”, disse João Doria. Segundo ele, as estruturas dos hospitais foram mobilizadas para receber as vítimas e o governo também vai encaminhar estrutura psicológica para os estudantes e familiares das vítimas.
Ainda segundo o governador de São Paulo, às 14h, a Polícia Militar vai divulgar a lista de nomes das vítimas e as informações que já foram apuradas.

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